A Espiritualidade do Agora

Você é capaz de dizer qual é a fonte dos seus sofrimentos? A pergunta pode parecer óbvia à primeira vista, mas é muito mais complexa do que parece. O budismo tem uma visão e uma resposta bastante curiosas e úteis sobre o assunto, que explica o sucesso das atuais iniciativas de yoga, imindfulness/i e outras práticas “da moda”.

Sabemos que a vida não costuma ser fácil. Dos pequenos aos grandes incômodos do dia a dia, o resumo da ópera costuma ser: as coisas vão bem e, de uma hora para a outra, podem azedar de maneira imprevisível.

A impermanência é uma marca do mundo e pode ser encarada de maneiras diversas. Alguns reagem melhor aos eventos, talvez com humor. Outros, desfazem-se em lágrimas.

O ritmo da vida, porém, nos leva a criar expectativas sobre praticamente tudo: as pessoas próximas, nós mesmos, o amor, o trabalho e a sobrevivência.

Nobre Verdade

Administrar a criação de expectativas, diminuindo seu peso no nosso espírito, e viver decentemente o “agora” é algo fundamental para diminuir nosso sofrimento.

Não precisamos ser budistas para saber qual é a primeira Nobre Verdade, de acordo com o mítico Buda: a vida é sofrimento.

Todas ações humanas são movidas por vontades e a satisfação delas nunca traz alívio permanente, apenas tédio e a busca por novas vontades – como um cão sarnento que se coça em breves intervalos.

Amor pleno

De maneira bastante resumida, a recomendação de Buda é a meditação, a preparação para entendermos que essas vontades não levam a nada permanente, que todas elas são passageiras, assim como nós.

Isso não quer dizer que devemos parar de ter objetivos na vida. A sabedoria está em dar o peso certo às coisas da vida, em busca do amor pleno. É um esforço de uma vida.

De certo modo, essa visão budista é o traço que une as religiões mais diferentes do mundo: colocar as vontades terrenas de lado em busca do amor pleno.