Igreja Católica lança aplicativo para confissões

A velocidade com que as tecnologias virtuais têm migrado para o centro de nossas vidas é estonteante. Praticamente todas atividades cotidianas têm se adequado ao ritmo das máquinas e ao modo de usá-las, incluindo, agora, as preces.

Embora o Papa Francisco já tenha pedido o uso moderado de celulares, o Vaticano recentemente deu o passo seguinte à conta do pontífice no Twitter (inaugurada por Bento XVI em 2012) e no Instagram: começa a explorar as potencialidades da internet para amparar seus fiéis com o primeiro aplicativo oficial para confissões, o Confession.

Espiritualidade virtual

Disponível para Android ou iOS, o programa dedica uma espécie de formulário para o fiel marcar suas falhas e as submete ao sistema. Uma série de algoritmos gera uma penitência baseada na análise dos pecados. A Igreja não vê a ferramenta como substituição ao convívio católico.

Os católicos reconhecem a importância das redes de comunicação, mas participam menos delas em comparação aos religiosos pentecostais, que tendem a dar menos importância aos sacramentos. A Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, marca presença nas principais redes sociais, com direito a grupos de auxílio e aconselhamento via Whatsapp.

Tela de celular, oficina do diabo

A visão do patriarca Kirill, líder supremo da Igreja Ortodoxa Russa, sobre a tecnologia é mais curiosa. Ele afirmou à rede de televisão estatal da Rússia Rossiya 1 que “o Anticristo é a pessoa que estará à frente da internet, controlando toda a humanidade”.

Embora a frase soe delirante, o religioso ofereceu uma explicação razoável: se celulares, tablets e computadores em geral podem ser acessados à revelia de seus usuários, mesmo sem que habilitem sua localização, todos os medos e interesses do internauta podem ser descobertos pelo “Anticristo”.

Obviamente, o bispo-mor não especificou se Vladimir Putin e as agências de serviço secreto russas, com sua política de dados completamente arbitrária, estão mais afinados com “o cara lá de cima” ou com “o cara lá de baixo”…